Tomaz de Figueiredo

(1902-1970)

Escritor Português, de seu nome completo Tomaz Xavier de Azevedo Cardoso de Figueiredo (Braga, 6.7.1902 — Lisboa, 29.4.1970). Embora bracarense de nascimento, era, pelas raízes familiares, de Arcos de Valdevez, “terra do (seu) coração como lhe chamou”. Depois de estudos secundários em colégios jesuítas na Galiza (Pontevedra e La Guardia), matricula-se (1920) na Faculdade de Direito da Univ. de Coimbra. Na cidade universitária, atraía-o, mais do que os estudos jurídicos, a “boémia do espírito”, num tempo de grande ebulição de que nasceria a Presença, precedida de publicações como Bysancia e Tríptico.

Em Coimbra, foi T. E Mais espectador que ator, escrevendo sem publicar, num lento tirocínio que havia de dar os seus frutos na maturidade (só aos 45 anos se estreia em livro). Ainda que não alheio à renovação estética que então se operava, T. F. Seguia o 05 seu próprio caminho, trabalhando na sua oficina de prosador muito exigente e insatisfeito, O seu mestre confessado — “mestre da Língua e da Indignação” — era o P António Vieira, enquanto o ponderoso Morais o guiava na sua pertinaz carreira de caçador de palavras. A evocação da geração presencista fê-la T. F.

Em NJ Cego (roman á clef publicado em 1950, mas escrito na década de 30), onde o autor aparece sob o nome de Francisco Sá, e no in memorian do condiscípulo Alexandre de Aragão, conversa com o silêncio (1960).

Formado pela Univ. de Lisboa, é notário em diversas terras e, de 1939 a 1941, presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca. Cedo aposentado (1960), em consequência de uma grave crise moral de saúde, poderá consagrar-se então a tempo inteiro à sua Obra literária, repartida por ficção, teatro e poesia.

O primeiro livro de T. F., A Toca do Lobo (1947), passou a ser como que o cartão de visita do escritor no mundo literário, como se ele fosse um auctor unius libri.

Galardoado com o Prémio Eça de Queirós, do SNI, A Toca do Lobo é como lhe chama o autor, um “romance estático”.

Trata-se, na boa tradição oitocentista, da história de uma casa antiga, de uma família tradicional e do seu último representante, Diogo Coutinho, sonhador que vive do passado e da imaginação. Romance clássico na sua modernidade — clássico na prosa, moderno na técnica do monólogo interior - , A Toca do Lobo é uma obra intimista, como a dos presencistas, mas de um casticismo mais acusado. T. F. Deu uma feliz continuação a esse romance em Uma Noite na Toca do Lobo (1952), fuga romântica”, como ele a designou. Preso a um autobiografismo que a transposição romanesca mal encobre — autobiografismo de um 06 patético muito romântico, como se vê sobretudo no “ciclo de romances” Monólogo em Elsenor, de que saíram três títulos dos quatro anunciados: Noite das Oliveiras (1965), A Mó Estrela (1969) e Túnica de Nesso (1989), se se afasta um pouco desse mundo obsessivamente agónico e angusto, 1 F. Escreve obras como a pícara “crónica heróica” Don Tanas de Barbatanas (1962-1964), que em certos momentos se excede no delírio verbal surrealista, e a Gata Borralheiro (1961, Prémio Diário de Notícias), com ressaibos de sarcasmo camiliano. Qualquer que seja porém o livro de T. F., sempre o recomenda uma prosa densa e apurada, que faz dele um grande senhor do idioma, na linha de Camilo e Aquilino.