Reinaldo de Matos

(1925-1993)

Padre Reinaldo Matos nasceu em Beduído a 21 de março de 1925. Fez a maior parte dos seus estudos em Aveiro, tendo frequentado os Seminários de Vila Viçosa, Trancoso, Colégio dos Carvalhos (Porto) e o Seminário dos Olivais em Lisboa.

Foi ordenado sacerdote em Junho de 1950, tendo permanecido como coadjutor de Oiã até janeiro de 1951, altura em que foi nomeado capelão do Hospital de Águeda e simultaneamente professor do Colégio de S. Bernardo e Pároco de Castenheira de Vouga. Em 1954, foi designado Pároco de Canelas, tendo sido professor do Externato Dom Egas Moniz entre os anos de 1957 e 1960.

Emigrou em 1967 para os Estados Unidos e radicou-se como americano a 7 de março de 1975, onde foi pároco da Igreja de S. Peter and Paul’s Church in Lawrense.

Desde muito novo, Reinaldo de Matos dedicou-se às atividades literárias, chegando a fundar em Canelas um jornal semanário intitulado “Boletim de Canelas”, cuja periodicidade manteve durante doze anos. Foi também promotor dos I e II Jogos Florais da Ria de Aveiro.

Entre outros livros da autoria do Padre Reinaldo de Matos assinalam-se “Cancioneiro da Ria”, “Sonetos da América”, “Orvalhadas”, “Versos que a musa não ditou”, “Entre o céu e o mar”, “Flores de Campo”, entre muito outros.

Paralelamente às suas atividades literárias, o Padre Reinaldo de Matos, especializou-se na pintura de miniaturas em acrílico, abstratas, tendo participado em várias exposições me Portugal e Estados Unidos de onde se destaca o Museu de Ciência de Cambrige.

Foi condecorado com a Medalha de Mérito Municipal pela Câmara Municipal de Estarreja, em setembro de 1985.

Em 1992 o Colby College, pelo seu departamento de línguas e literaturas, propôs ao Secretário do Prémio Nobel em 13 de janeiro, o nome do Padre Reinaldo Matos.

Padre Reinaldo Matos faleceu nos Estados Unidos no dia 11 de outubro de 1993, com 68 anos

Poema do Padre Reinaldo Matos:

Princesa Judia

Uma gaivota branquinha
Feita de espuma do mar
Volteava, uma tardinha,
Por sobre um monte de areia

Pois a gaivota branquinha,
Que voa sempre mansinha,
No mar do meu coração

E o que é que ali a atraía?
Perguntei ao próprio mar
Nem ele; ninguém sabia
Nem tinha a mínima ideia...

És tu a tua alegria
Minha princesa Judia,
Meu sangue azul, meu brasão.