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Autor do MêsMário Zambujal

Mário Zambujal

15/04/2026 12:17:25

Abril 2026

BIOGRAFIA

[Moura, 1936 - Lisboa, 2026]

Autor de ficção, não levou esta actividade muito a sério, apesar dos dificilmente ignoráveis êxitos. Considerava, por exemplo, o seu primeiro livro, Crónica dos Bons Malandros, «um trabalho de jornal que por acaso é ficção». Iniciou-se como jornalista profissional em A Bola, em 1961, e era apresentado como tal que, sem dúvida, melhor se sentia. Costumava dizer que a história da sua vida se resumia a anotar as etapas a partir dos jornais por onde passou. E foram muitos. Se tinha vinte e cinco anos quando entrou para A Bola, sete anos mais tarde ingressou no Diário de Lisboa, que deixou no ano seguinte (1968), trocando-o pelo Record, então dirigido por Artur Agostinho. Em 1970 entra para O Século, onde no 25 de Abril de 1974 foi chefe de redacção; manteve-se nestas funções de chefia até meados de 75, altura em que assumiu a direcção do Mundo Desportivo («fui-me embora para as Berlengas», segundo as suas palavras). A convite de Vítor Cunha Rego, transitou para chefe de Redacção do Diário de Notícias, após os acontecimentos do 25 de Novembro. O Sete, de que foi o primeiro director, foi a experiência seguinte, e depois o trabalho na televisão, integrando o quadro da RTP. Incursão muito notada igualmente na rádio, no programa «Pão com Manteiga» (de que foi co-autor dos textos posteriormente reunidos em livro). Assumiu igualmente a co-autoria de alguns textos de teatro de revista como «Não Batam Mais no Zézinho», «Isto É Maria Vitória» ou «Toma Lá Revista». Quanto aos seus livros de ficção, Crónica dos Bons Malandros (1980), que foi objecto de adaptação cinematográfica, é um percurso trágico-burlesco pelo mundo da marginalidade lisboeta, pela precaridade quotidiana dos vigaristas de pacotilha que sonham com «o grande golpe» que os arranque do pequeno submundo anónimo. Em Histórias do Fim da Rua, segundo livro de ficção editado três anos mais tarde, Mário Zambujal entrelaça histórias que têm a ver com a Rua de Trás, em demolição, sacrificada a um «progresso» protagonizado por especuladores imobiliários e, simultâneamente, por um casal – Nídia e Sérgio –, perfis muito característicos de uma perfeita dissolução, tanto no que diz respeito a uma geografia urbana como a uma relação sentimental com dez anos de vida. O seu terceiro livro, publicado outros três anos mais tarde, intitula-se À Noite Logo se Vê e retomou o sucesso do primeiro, distanciando-se do relativo silêncio votado ao anterior. Quanto ao argumento, é exposto de rompante, logo na página 4: «No tempo inteiro de quatro anos, quatro, não nasceu nenhuma criança, uma que fosse, menino ou menina, na aldeia do Roseiral» e Mino Miralva, narrador de muitas histórias, começa a investigar. De resto, o autor continuou a considerar-se como um jornalista que escrevia para se divertir, com um humor infantil, matreiro, marcado por uma linguagem ágil e cheia de um humor genuíno e fresco, e uma prosa despretensiosa e criadora de personagens que só por si constituem todo um universo ficcional: «O Cacildo Tavares, sacrificado repórter da velha guarda», ou o «imparável fura-vidas Jacinto Rebite» são exemplos que fazem de Mário Zambujal, como disse uma crítica conceituada, «a fantástica recuperação de um risco que andava por aí perdido.»

Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999

In http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=9906

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